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ALENTO



Houve um tempo em que amar era natural, condição de ser e estar de seres imortais em gozo de aventuras em circunstância mortal de vivências intermitentes nos jardins babilônicos ou da selva amazônica.


Houve um tempo em que buscar saber era ofício e mister dos ditos “humanitários”, seres hoje tão raros, abstrações de um poeta ou do imaginário de algum desafeto da engrenagem indiscreta que subtrai das vidas o alento contido nos risos e afetos.


Houve um tempo em que eu não sabia da maldade humana e a vida era plena, sem máculas ou enganos, havia abundância de afagos nos semblantes e nas mãos sem qualquer constipação ou introito vexatório nos sentimentos emanados de corações encantados.


Houve um tempo em que não se sabia o que era “sem teto” e a fome era proibida, não por Lei ou Decreto, mas por justo proceder e solidariedade expandida por “gentes” comprometidas com a benquerença vivida no silêncio da acolhida do benfazejo estar contigo, seja irmão ou amigo, ou estranho peregrino.


Há um tempo, um tempo presente, feito sob encomenda, e urgente, para “arregaçarmos as mangas” e traçarmos o voo nas asas dos imateriais valores, tesouros, rumo à Bondade e à Beleza imanente, não as das aparências frívolas ou vazias, tão usuais nestes dias.


Haverá novamente, após baixarem as cinzas dos vulcões do ódio, flores que esbanjarão cores e vestirão a primavera, iluminarão o verão, salpicarão de pétalas as trilhas do outono e recriarão o vigor nas estufas dos esconderijos do inverno, onde o Amor se faz eterno.


Sandra Regina Klippel In: Gazeta do Amapá, 14.11.2021





2 comentários


Fernandes Filho
Fernandes Filho
14 de nov. de 2021

Belo texto, vale a pena refletir...

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sreklippel2000
sreklippel2000
14 de nov. de 2021
Respondendo a

Reflexões são necessárias para não perder de vista a Estrela-Guia

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