AS BOLHAS MALIGNAS
- sreklippel2000
- 23 de ago. de 2022
- 3 min de leitura
Foto : Kátia Picollin
A POLARIZAÇÃO DIREITA ESQUERDA É TURBINADA POR ÓDIOS E MEDOS
Observamos no Brasil e no mundo uma descompensação civilizatória assustadora. As populações estão mergulhadas em cenários de filmes de terror.
Houve depois da Segunda Guerra Mundial um esforço ou uma crença de que poderíamos avançar rumo a convivências pacíficas, ao respeito pelas diferenças, aos diálogos e à liberdade de desenvolvimento de todos.
Óbvio que isso nunca funcionou plenamente, aliás sempre foi precário. Mas também não podemos negar de que houve um esforço e adesão de muitos para que isso acontecesse – a convivência pacífica e ordeira entre as pessoas nos seus países e entre os países.
Mas eis que uma bolha se formou, uma bolha de retrocessos e de avanços em maldades reprimidas e expandidas, e explodiu sobre as mais diferentes sociedades do planeta.
Retrocessos porque recuperaram a velha tática das divisões para dominar e subjugar mentes e corpos. Avanços porque as técnicas são muito mais aperfeiçoadas, assenhoraram-se de todos os avanços de conhecimentos tecnológicos e psicológicos ou comportamentais para escravizar sutilmente.
Mas vou me centrar no Brasil. Dizem os sábios que primeiro devemos pôr em ordem a nossa casa para depois apontar o que está embaçando a janela do vizinho. Na literatura aprendemos que é o particular, o aspecto peculiar de uma cultura, que torna uma obra universal.
E cá estamos, divididos entre esquerda e direita, entre evangélicos e outras religiões, entre empresários e proletariado (parece piada, mas não é), entre inúmeros gêneros e sabe-se lá mais o quê.
Tudo é motivo para dividir a população, quando na verdade somos seres humanos , todos nós , somos seres humanos. E em comum habitamos um Estado chamado Brasil. Esta é nossa casa comum, dentro da aldeia maior, o planeta.
Logo, se este país estiver prosperando de forma harmônica, em todas suas camadas e em todas suas comunidades, o ser humano brasileiro estará bem, como um corpo, se todos seus órgãos estiverem sadios, o corpo estará sadio, do contrário não.
Observo pessoas amadas e respeitadas digladiando-se entre esquerda e direita, entre Lula e Bolsonaro. Isso leva a qual cenário? A uma guerra inútil. Perigosa.
No princípio da Matemática ou da Geometria já encontramos a resposta, o que mantém uma obra em pé é o tripé. Há, portanto, a necessidade de um aspecto trino, matematicamente trino, o triângulo e daí avança para a pirâmide...
Então não é opondo e destruindo ou esquerda ou direita que iremos construir algo. É no mínimo criando um tripé. E na filosofia? A filosofia diz que o caminho do equilíbrio é o caminho do meio. Bom lembrar que não há caminho do meio se não houver laterais.
Logo não é demonizando esquerda e direita que iremos avançar ou encontrar equilíbrio. Essa demonização é retórica escravagista, abusiva. Não é simples, é simplória. É criminosa.
É nos despindo dos ódios e intrigas plantados em nossas mentes e corações e avaliando os representantes, o caráter e as propostas dos representantes que se apresentam para nos governar ou para legislar que iremos avançar.
É urgente rompermos a bolha das divisões em rótulos, não somos rótulos, somos seres humanos, únicos.
E a bem da verdade, além de tudo isso que analisamos, há de se prestar atenção no diagnóstico feito por Diogo Mainardi, no longínquo 2010, sobre a situação política em nosso país:
"O Brasil não tem partido de direita, de esquerda, de nada, tem um bando de salafrários que se reúnem para roubar juntos."[1]
A minha sugestão, se me permitem, é rompermos esta bolha de divisões, de ódios e de medos (estes muitas vezes justificáveis) que nos aprisionam sob a batuta de um sistema que ora escala um, ora escala outro engraçadinho para nos governar.
Quero deixar um país livre para meus netos. E você?
[1] In: https://campinas.com.br/eventos/outros-eventos/2010/08/mainardi-da-entrevista-ao-itu-com-br-antes-de-sua-saida-do-brasil/
Sandra Regina Klippel. Curitiba, 23.08.2022









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