top of page

O BELO , BOM E JUSTO




“Sou aquela” que não fica na janela, “Florbela”,

saio para a rua insurreta em meio aos fatos e atos,

alguns justos, outros, ultrajes de detratores, malfeitores.


Desvio, em câmara lenta, das palavras vãs, ocas.

Esbarro em vaticínios e profetas de origem incerta,

não lhes dou “trela” ou ouvidos, ou segundos de alerta.


Cruzo com crianças, jovens e idosos de todas as idades,

alegres e circunspectos, afetos e desafetos,

letrados e analfabetos, eles povoam as calçadas de concreto,

ou de pedra, a cada metro pisoteado pela pressa.


Entrego-me à alegria ao sol das manhãs azuis,

ora em retas oblíquas ora em sinuosas curvas,

e não é valseando em ondas com o Danúbio.


Sou aquela que quer falar do que é Belo e Bom,

fotografar a alegria em cada olhar sorrindo,

como um farol que ilumina e faz rima ou aquarela.


Mas o que há de belo nas noites geladas sem abrigo?

O que há de bom na fome dos filhos do salário-mínimo?

Onde a alegria dos que tiveram roubados seus sonhos,

usurpadas suas oportunidades de igualdades prometidas?


Seria o Belo, Bom e Justo, talvez uma visão que alguém sonhou?

Oh, ironia, talvez um desencontro ao sol do meio-dia.

Algo que estava no script para ser, para o mundo ver,

e a penumbra dos gases tóxicos das maldades acabou

por encobrir de vez e desfigurar a realidade programada?


Sandra Regina Klippel In: https://agazetadoamapa.com.br/coluna/1686/o-belo-bom-e-justo




 
 
 

Comentários


logredtransp.png

© 2020 por Noticias Olhar Democrático . Orgulhosamente criado com Wix.com.

  • Facebook Clean
  • Branca ícone do YouTube
bottom of page